Na mitologia finlandesa Sampo era um artefacto magico que trazia boa fortuna para o seu dono (wikipédia). Nos dias que correm Sampo é o nome, entre outros, de uma marca de fósforos propriedade de uma empresa sueca e de um banco comprado pelos dinamarqueses do Danske Bank. é caso para dizer que os suecos levaram-”nos” o fogo e os dinamarqueses o crédito.
Um ano após a compra os dinamarqueses decidiram que era tempo de harmonizar a tecnologia e de migrar os sistemas informáticos do Sampo Pankki para a casa mãe; vai daí decidiram investir milhões de euros para fazer aquilo que é efectivamente um downgrade. A coisa correu mal e milhares de clientes, entre os quais eu, foram afectados com contas sem dinheiro, problemas nos juros, custos de transacções absurdos, transferências não efectuadas, etc. Ainda sexta-feira um dos diários gratuitos reportava na primeira página que a AI estava em dificuldades por causa do banco. Acompanhava a fotografia lacónica uma foto de uma fachada do banco “A mudança também tem uma direcção. Para melhor“.
Por terras de Hans Christian Andersen acha-se que os finlandeses são uns chatos exageradores e, aparentemente, os clientes do Sampo são demasiado avançados tecnicamente para aceitarem estes problemas. A verdade é que milhares de clientes já deixaram o banco e se as coisas não melhoram também eu avaliarei as minhas opções. Ler coisas como estas, não ajuda nada a manter o pouco crédito de confiança que ainda dou ao banco.
Durante o fim de semana algumas nuvens pousaram sobre o futuro do PM Matti Vanhanen. Um jornalista sueco (de origem e língua finlandesa) num golpe de publicidade publicou em linha as mensagens que Vanhanen enviou à ex-namorada (a história está no fórum). As mensagens são fortes, para maiores de 18: ao lado das sms’s do PM, as mensagens de Kanerva são brincadeira de crianças.
As mensagens não podem, por ordem de tribunal, ser publicadas no país e os tablóides fizeram grande algazarra perante a perspectiva de as ver por cá publicadas à revelia do poder. Talvez o patriotismo tenha moderado os jornalistas porque no dia seguinte já se viravam para o mensageiro - seria uma mancha irreparável permitir que um sueco abalasse as fundações do poder executivo.
Vanhanen disse que não estava envergonhado, e faz muito bem, todos temos direito aos nossos momentos de boçalidade adolescente. Do que ele devia ter vergonha era do pedido que, alegadamente, fez à rapariga: Ele pediu-me para mentir. Não queria que se soubesse que nos conhecemos num chat de internet, queria que eu dissesse que nos encontramos por entre as prateleiras da Ikea.
Pediu para mentir por isto? Namorar na internet não tem mal algum - imagine-se o que seria o calmeirão do PM na pista de dança do Presidentti a fazer-se às febras. Já ir para a Ikea engatar…
Era uma daquelas situações que os economistas passam a vida a descrever mas que raramente são visíveis na realidade: o produtor que desce o preço do seu serviço, para um preço exactamente igual ao máximo que o individuo está disposto a pagar pelo seu consumo.
Imaginem a curva da oferta e da procura que se cruzam nos 15 euros. Foi o que (quase) aconteceu esta semana: assim que a senhora do “cabeleireiro de Sevilha” colocou cá fora um anúncio com a promoção de um corte por 15 euros lembrei-me imediatamente que estava a precisar de um. O cabelo está a crescer desde a última vez que isso aconteceu, uma promoção “das férias”, já lá vão alguns mesitos.
Acontece que este anúncio era discriminatório das senhoras, a oferta de 15 euros era para “corte de homem“. E era aqui que eu queria chegar: “The Ombudsman for Equality and the Consumer Ombudsman emphasize that pricing should depend on the service performed for the customer, not gender.” Ou sejam estes senhores querem negar o que já toda a gente sabe: as mulheres estão, regra geral, dispostas a pagar mais por um corte de cabelo do que os homens.
Escrevi era porque hoje, quando finalmente me decidi a cortar o cabelo, o anúncio havia desaparecido do cabeleireiro e temo que não regresse nos próximos tempos. O corte será inevitável nas próximas semanas e, ao preço a que os cortes de cabelo estão por estas terras, arrisco-me a pagar por um “corte de senhora“.
Isto passou-se num desses “KKK supermarket“, no Natal passado:
First you wash the floor properly, then you arrange the elements. After that, you can enjoy a full 6 minutes of domino during christmas holidays. No products were harmed during the making of the movie, since the elements just bump to each other.
‘Relato de uma tarde de’ ou ‘Receita para’
Como prometido, e depois de receber as imagens, aqui fica um relato (que isto de dar lições de pilkki (para inglês: ice fishing) fica para profissionais… eu nem sorte de principiante tive!) de uma tarde passada à espera que algum peixe estúpido se iludisse com o banho gelado do morcão!
Primeiro vai-se ao prisma (supermercado na zona sul de Roi) e, por menos de €10, compra-se uma cana de pesca que à primeira vista parece de ‘brincar’, para miúdos. Incluído nos €10 é possível comprar uma caixinha de morcõezinhos vivos (rabiavam por entre pequenas aparas de madeira) porque os peixes não gostam de morcões mortos! E há quem goste?!
Ok. Cana e morcões. A isto junta-se uma broca, que em nada condiz com a caninha (na Noruega e com alguma sorte, seria suficiente pare fazer um poço… de petróleo!). Só faltava o banquinho (arre! não se tem nada que não esteja fora de escala) que se conseguiu por 1 aéreo numa Kirpputori (Mercado de pulgas, traduzido para português). Só faltava a escumadeira, no caso de uma cozinha sul-coreana. Reunidos os ingredientes, estávamos preparados para um “passeio” até às margens do Kemijoki. Foi o que se segue:
Por reconhecer uma independência ilegal, contrária ao direito internacional e à carta de uma organizaçäo civil à qual o seu país pertence (ONU), só para satisfazer os ditames de uma organização… militar à qual o seu país não pertence (OTAN), e a que por acaso nem está nos planos integrar, visto a maioria da população do seu país estar contra???
Näo! O pagode está todo contente com isso!
Por fazer algo ilegal, tipo desviar fundos públicos, viajar a sítios exóticos à custa do erário público, com a desculpa que são viagens diplomáticas?
Näo! Porque nem sequer o fez.
Foi porque mandou uns SMS a uma rapariga de metade da sua idade. Mesmo näo tendo esposa, parece que näo pode. Ó suprema ignomínia! O que é esta gente acha? Que os homens de 60 anos devem ser capados? Só pode…
E há quem venha falar da “imagem da Finlândia” no mundo após este episódio…
Relâmpago noticioso! NINGUÉM SE IMPORTA! Querem lá eles é saber! É lá com ele!
Isto parece (em pior) o que aconteceu com o Governador de Nova Iorque agora há pedaço. Mas esse sempre era casado! Tanto que a primeira coisa que o sucessor fez foi declarar que tinha encornado a mulher, fumado ganza, sei lá que mais, só faltou dizer quantas vezes mandou um peido num elevador cheio.
Após e as centenas de antros de comida rápida por habitante, os mega-jipes, as casinhas de subúrbio, só faltava mesmo esta para se ser o 51.o estado dos EUA!
É triste que uma pessoa näo possa ser livre de fazer o que quer na sua esfera privada. Mais ainda quando se vai à rua nesta pudibunda Helsínquia, e se vêem parzinhos adolescentes a pinar no parque, e ninguém liga…
Mensagem urgente do ministro dos negócios estrangeiros da Finlândia Ilkka Kanerva (60) para a dançarina/ stripper/ –t- Johanna Tukiainen (29).«Onde poderia ser?» acrescentou o ministro na sua SMS.
Johanna Tukiainen, eli jonsku ystäville…
Diplomacia. É por isso que ele é ministro e nós não;)
O erro foi rapidamente corrigido mas eu preferiria que não o tivesse sido…
Differences in housing allowances paid out by the Finnish Social Insurance Institute, Kela, results in annual losses of more than one thousand euros for people loving in older homes.YLE
Por momentos encarei a ideia de um povo que se ama nas suas casas, em vez de um que se limita a viver…
E que em qualquer dos casos continua a odiar os vizinhos
Back to business, há um português a Norte que publica posts com fotografias como este. Isto deve ter sido o mais próximo que eu “vi” de um inverno típico finlandês na Finlândia. Mais a sul, há quem tenha 18 graus no inverno e se permita descidas de 7 kms nos Alpes. Buah, os trenós que comprei em Janeiro para os miúdos ainda não saíram da bagageira…
Jarmo Valtari and Pertti Laitinen from Finland inched ahead an Italian team to win the fourth America’s Plate International Pizza Competition in New York on Monday.
The judges awarded the Finnish duo a total of 307 points for their smoked reindeer and mushroom creation, relegating the Italians to second place with 270 points.
The other teams hailed from Australia, China and the United States.
Este fim de semana, em Helsínquia, decorre o Pixelache 2008. Organizado pelo artista e curador Juha Huuskonen, Pixelache(*) é conhecido por reunir inovadores de toda a disciplina, através de provocativas apresentações e discussões. O foco da edição deste ano é a Universidade Pixelache com a “educação nas estradas cruzadas da ciência, da tecnologia, da arte e da cultura” explorada ao longo dos quatro dias do festival. Quem está fora de Helsínquia este fim de semana, poderá seguir alguns dos eventos por meio deste link.
(*)Pikseliähky / / Pixelache é um festival de arte electrónica e subculturas, organizado desde o ano de 2002, em Helsínquia.
Como a pecadora natureza humana se expandiu para além dos 7 pecados mortais “originais”, o Papa emitiu um comunicado, referindo “os 7 pecados mortais sociais”, a saber:
- Poluiçäo ambiental
- Manipulaçäo genética
- Acumulaçäo excessiva de riqueza
- Infligir pobreza
- Tráfico e consumo de droga
- Experiências moralmente debatíveis
- Violaçäo de direitos humanos
Fosga-se!
Bem, estäo aqui, está o Pentágono a bombardear o Vaticano! Olha agora a considerarem as consequências do liberalismo económico desenfreado como pecado mortal…
Mas pronto… isto só vale para os católicos; para os outros, já sabemos que näo há salvaçäo… hereges!
No país do bem-estar e conforto material (e social), uma das coisas que me chamou a atenção foi o enorme número de lojas de artigos em segunda mão que existem aqui na Finlândia. E o correspondente enorme número de pessoas que a elas recorre…
Quando vivia em Portugal nunca comprei nada em segunda mão, que me lembre. Quanto muito fiquei com coisas que pessoas conhecidas me ofereciam.
Suponho que em Portugal se associe muito o recurso a artigos usados com os “pobrezinhos”? E como ninguém quer passar por pobre, só se quer comprar novo? Cá acho que não há muito esse estigma… aliás muitos chamam a estas lojas de “lojas de reciclagem” o que até dá um ar politicamente correcto à coisa
Aqui, quando visito essas lojas, as pessoas que lá estão têm um ar muito normal. Normal, quer dizer, não têm ar de quem acabou de estacionar o Jaguar para entrar na loja, mas também não têm ar de quem conta os trocos para poder pagar a água e luz ao fim do mês…
Quando vivia em Tampere e precisei de comprar alguma mobília para a casa, pensei duas vezes antes de gastar um balúrdio para comprar coisas de que provavelmente me teria de desfazer daí por um ano ou dois. E fui a uma destas lojas. Das pechinchas que lá encontrei saliento: uma cama (estrutura) por 40 euros; um espelho meio-corpo por 17; tábua de engomar por 7, uma secretária por 25 e cadeira de escritório por 12; um microondas por 5, e uma mesinha de cabeceira por apenas… 3!
Já em Helsínquia também comprei uma bela cadeira de escritório por 10 euros, e uma frigideira de panquecas pela ninharia de 1 eurito…
Com as poupanças houve mais disponibilidade para ir ao cinema, viajar, ter uns devaneios de gourmet e comprar comidinhas especiais… passei a comprar mais comida FairTrade e “biológica”.
Por curiosidade, nas minhas visitas a Portugal tenho passado por algumas lojas de artigos usados, e o que constatei foi que lá, os preços são exorbitantes (!!!) se comparados aos preços das lojas de cá. Em Portugal compra-se usado quase ao preço do novo… se formos a pensar na carteira, mais vale ir ao IKEA…
Bom, mas este post vem a propósito do quê?… ah, é que me enviaram há uns dias este link, sobre o consumo desenfreado instigado pela cultura norte-americana…