Cabeleireiras sexistas
Era uma daquelas situações que os economistas passam a vida a descrever mas que raramente são visíveis na realidade: o produtor que desce o preço do seu serviço, para um preço exactamente igual ao máximo que o individuo está disposto a pagar pelo seu consumo.
Imaginem a curva da oferta e da procura que se cruzam nos 15 euros. Foi o que (quase) aconteceu esta semana: assim que a senhora do “cabeleireiro de Sevilha” colocou cá fora um anúncio com a promoção de um corte por 15 euros lembrei-me imediatamente que estava a precisar de um. O cabelo está a crescer desde a última vez que isso aconteceu, uma promoção “das férias”, já lá vão alguns mesitos.
Acontece que este anúncio era discriminatório das senhoras, a oferta de 15 euros era para “corte de homem“. E era aqui que eu queria chegar: “The Ombudsman for Equality and the Consumer Ombudsman emphasize that pricing should depend on the service performed for the customer, not gender.” Ou sejam estes senhores querem negar o que já toda a gente sabe: as mulheres estão, regra geral, dispostas a pagar mais por um corte de cabelo do que os homens.
Escrevi era porque hoje, quando finalmente me decidi a cortar o cabelo, o anúncio havia desaparecido do cabeleireiro e temo que não regresse nos próximos tempos. O corte será inevitável nas próximas semanas e, ao preço a que os cortes de cabelo estão por estas terras, arrisco-me a pagar por um “corte de senhora“.
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Comentarios
11 de Abril de 2008
Já dizia o outro que…
- os homens estäo dispostos a pagar metade do que vale algo que eles querem
- as mulheres estäo dispostas a pagar o dobro do que vale algo que elas näo querem
Comentários, senhoras?
AH! Eu só corto o cabelo no barbeiro da terrinha lá em Portugal… ou entäo vai à máquina (que ao fim de 3 cortes já está paga!)
11 de Abril de 2008
Não vejo porque seja descriminatório das senhoras… Há problema em aplicar-lhes um “corte de homem”?
Em Rollo, cortar o cabelo é uma pequena fortuna, só explicada porque para cada par de cabeleiras há pelo menos uma cabeleireira! Por isso, também só corto o cabelo na terrinha…
12 de Abril de 2008
Suponho que possam oferecer um corte de homem a quem o pedir mas se alguma dona de cabelo curto chegar lá (ou algum cabeludo) duvido que lhe aplicam o outro preço da tabela…
Uma questão interessante, porque nunca reparei, será saber se exitem cabeleireiros unisexo por cá. Pode-se recusar serviço a alguém com base no sexo? Ou pode-se indicar que o cliente “está por sua conta e risco”… hihi…
13 de Abril de 2008
faz lembrar o tal que vivia em Lisboa e ia a cacilhas cortar o cabelo que era mais barato
15 de Abril de 2008
Sempre consegui marcar “corte de homem” na minha cabeleireira favorita…